quinta-feira, 30 de junho de 2022

Deus vem morar conosco

 Há pessoas que, com sua presença, nos fazem sentir segurança, paz, esperança e amor. Por isso, desejamos tê-las bem perto de nós. Afastar-se delas causa insegurança, medo e saudades.

 

O profeta Zacarias trouxe uma mensagem de grande conforto a um povo que estava voltando da escravidão, tendo que reconstruir uma nação em ruínas. O conforto veio das palavras de alguém que, com sua presença, fazia o povo sentir segurança, paz, esperança e satisfação.

 

Apesar de pessoas poderem fazer com que nos sintamos bem, Zacarias não trazia palavras ditas por seres humanos, pessoas comuns. O profeta anunciava promessas do Criador, cuja presença é tudo pelo que nossa alma mais anseia. Nele, somente nele, nada nos faltará, por ser ele nossa segurança, paz, esperança e plenitude.

 

A promessa que fez a esperança renascer entre as ruínas de Jerusalém foi: “Moradores de Jerusalém, cantem de alegria, pois eu virei morar com vocês!” (Zc 2.10). Alguns anos depois, o Templo foi reconstruído e o Senhor o encheu com sua glória.

 

Deus, contudo, quis mais. Não queria habitar somente em templos feitos por mãos humanas. Ele veio morar entre o seu povo. Deus “se tornou um ser humano e morou entre nós” (Jo 1.14). Para nos dar segurança, paz, esperança e plenitude, Jesus morreu, pagando por nossos pecados, e ressuscitou, prometendo que nós com ele viveremos em uma nova Jerusalém, o céu.

 

Como será o céu? “Eu virei morar com vocês!” – disse Deus. Seremos completos pela presença do Deus que nos criou e salvou. Enquanto o céu não chega, ele prometeu estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos.

 

Oremos: Amado Jesus, tua presença traz segurança, paz e esperança. Habita em meu coração, perdoando os meus pecados e reconstruindo minha vida com tua Palavra. Amém.

 

Pastor Ismael Isaque Verdin      

segunda-feira, 30 de maio de 2022

O amor do Pai, um amor diferente

          Em nossa parábola, um dos filhos chegou para o Pai, que o amava muito, e disse: Pai, eu quero a minha herança, porque eu quero ir embora. Pensem na angústia daquele pai ao ouvir
seu filho dizendo isso.


          Pois o pai repartiu de igual forma os bens entre os dois. O filho mais novo juntou tudo e se foi. E começou uma vida desregrada, cheia de festas, alegrias, até que tudo o que tinha acabou. Chegou ao ponto de passar fome e pedir refúgio numa fazenda, e lá, sem ter o que comer, quis comer até mesmo a comida dos porcos. Até que se deu conta que na fazenda
do seu pai era muito melhor, eu era feliz e não sabia, que até os empregados do seu pai tinham coisas melhores, e então pensou: Vou voltar e pedir que ele me perdoe e me aceite de volta. E assim ele fez.

AQUELE PAI ERA DIFERENTE

 
          A atitude daquele pai contrariou muitas atitudes humanas. Muitas pessoas no lugar daquele pai talvez não estivessem dispostas a receber o seu filho de volta. Dentro do costume da época, aquele pai jamais teria ido ao encontro do seu filho. Mas aquele pai era diferente, e o seu amor era muito maior que os erros de seu filho. E o que ele fez? Eu imagino esse pai olhando para a porteira de entrada da sua fazenda, todos os dias, esperando ver o filho voltando para casa.
 

          Viu de longe o seu filho e correu e o abraçou; nem quis ouvir o pedido de perdão do filho, ele já o havia perdoado; então o recebeu de volta com uma grande festa, com tudo do bom e do melhor, e por quê? Porque aquele filho estava perdido e voltou para o seu pai.
 

          Contudo, para a nossa surpresa, o irmão do rapaz não teve a mesma reação; aliás, o irmão questionou e reclamou com o seu pai. Disse que nunca havia feito nada para decepcionar o pai, mas para esse que havia desperdiçado tudo e o deixado triste, o pai fazia uma festa? Como assim? Ele sempre o havia obedecido em tudo, trabalhado por anos, e
o pai nunca havia feito nada para ele. E para piorar, o mais velho julgou e inventou coisas a respeito do irmão. Duas coisas ele afirmou que não eram verdade.
 

Primeira: Ele gastou tudo o que era seu; se observarmos bem no início da história que Jesus conta, o filho mais novo pegou a parte dele, e nem um centavo a mais, então ele não gastou o que era do pai.
 

Segunda: Gastou com prostitutas; se observarem quando Jesus conta a parábola, não diz que o rapaz gastou tudo com prostitutas, mas que ele viveu uma vida desregrada.
 

Porém o pai, com muito amor, não condenou o filho mais velho, apenas lhe mostrou a realidade que ele ainda não tinha percebido, de que tudo também era dele e que ele poderia usar, e que o mais importante não eram os erros do seu irmão, mas o fato de ele ter voltado.
 

Prezado leitor! Essa parábola de Jesus nos coloca dentro de nossas atitudes e pensamentos. Nela, o pai é o próprio Deus, e nós somos os filhos. E nossas atitudes, muitas vezes, se parecem com as de ambos os filhos.

PARECEMOS COM O PRIMEIRO

 
          Parecemos com o primeiro quando fazemos pouco caso daquilo que Deus fez por nós, fazemos pouco caso do seu amor, fazemos pouco caso do perdão, quando deixamos de frequentar a nossa congregação. Alguns, infelizmente, pegam tudo o que Deus fez por nós e abandonam a casa de Deus; saem pelo mundo achando que são os seus deuses, usando e abusando do amor de Deus, até caírem em si e perceberem o que fizeram; até caírem em si
e verem o quanto a vida sob as bênçãos e a graça de Deus é maravilhosa. Colhem duras e terríveis consequências por causa de seus atos. Mas, pela graça de Deus, tomam a atitude de voltar.

PARECEMOS COM O SEGUNDO
 

          Parecemos com o segundo quando não nos damos conta de tantas bênçãos que temos por estar na casa do Pai, por viver na companhia do Pai; quando o perdão não nos causa mais alegria, perde o seu valor; quando o nosso culto é algo mecânico, quando não temos mais alegria em estudar a Palavra de Deus. Quando nos achamos no direito de pensar que Deus não deve perdoar tal pessoa, tal criminoso, traficante, mesmo que ele se arrependa.
 

          Todavia, o mais importante, neste texto, não está na atitude dos filhos, mas na do Pai. Na atitude do Pai. Percebam o quanto esse Pai nos ama, e que ele nos ama de uma forma inexplicável. Deus nos aceita sempre que voltamos para ele. Isso não é maravilhoso? Tem como não se alegrar com um Deus tão misericordioso e amoroso?
 

          O amor do Pai excede todo o entendimento. Podemos estudar a vida toda e não vamos compreender. O Pai é seguro no seu objetivo: trazer o seu filho de volta. O Pai é esperança.

O PAI AMA!
 

          E esse amor tem outro nome muito marcante, que somente esse Pai tem: GRAÇA! Graça é algo que não existe em nenhum outro Deus. Nenhuma outra teologia. Nenhuma outra religião. O nosso Deus que vem ao nosso encontro, sem exigir nada.
 

O amor do Pai choca!
O amor do Pai excede todo o entendimento!
O amor do Pai não tem prazo de validade!
O amor do Pai não muda!
O amor do Pai é único!
O amor do Pai por você não depende das suas ações.
E esse amor é para você.

           Esse amor é seu. Unicamente seu, não importa o que você fez, não importa quem você é, esse amor é totalmente seu. Pecado é pecado e mata! Mas se você continua lutando com ele, esse amor perdoador é seu.

NÃO IMPORTAM AS CIRCUNSTÂNCIAS,
ESSE AMOR É PARA VOCÊ

 

          Não sei como esse texto o encontrará hoje, mas se estiver triste, esse amor é para você. Se estiver preocupado com a crise financeira, esse amor é para você. Se estiver diante de uma doença, esse amor é para você. Se estiver diante da tristeza, da depressão, da ansiedade, da decepção, esse amor é para você. Se estiver se sentindo só, esse amor é para você. Não importam as circunstâncias, esse amor é para você.
 

          Esse é o amor que precisamos encontrar em nossa congregação. O amor do Pai! Talvez você esteja vivendo como o filho mais novo, enquanto lê esse artigo. Esteja iludido pelo pensamento: Não preciso estar o tempo todo na igreja. Talvez você esteja bem distante; se este é o seu caso, deixe Deus ser Deus para você novamente, volte para a casa do Pai, volte para os braços do Pai. A vida longe do Pai não vale a pena, em hipótese alguma.

CUIDADO COM OS SEUS PENSAMENTOS
 

          Mas quem sabe você está mais para o irmão mais velho, tem servido ao Pai por toda a sua vida. Que maravilha! Continue o seu trabalho. Ajude e seja parceiro do seu pastor na busca pelos irmãos mais novos. Mas muito cuidado com os seus pensamentos, com a forma como você pensa e se refere aos irmãos "mais novos"; cuidado para que o orgulho, a vaidade, o desejo por aplausos e elogios não seja a motivação do seu serviço. As suas boas obras são extremamente importantes, mas não confie nelas.
 

          Que a nossa família da fé possa sempre ser conduzida debaixo do amor do nosso Pai Celeste. E, assim, ser uma igreja que ama, cuida, perdoa e busca o perdido. Que possamos cada vez mais celebrar a volta para casa de nossos irmãos. E para que isso aconteça, lembre-se daquele seu irmão na fé que já frequentou os cultos com você, daqueles que foram seus colegas de escola dominical, de instrução de confirmandos, e hoje estão distantes, pense com carinho neles, ore por eles, mande um recado para eles, uma
mensagem, faça uma visita, enfim, leve o amor do Pai a todos que estão distantes.
 

          Que o amor do Pai, que excede o nosso entendimento, nos guarde e nos abençoe sempre.

 

 Pastor Felipe Erdmann Euzebio

sábado, 23 de abril de 2022

Santifique o dia santo

 "Guarde o sábado, que é um dia santo" (Êx 20.8)


Neste versículo, que é um dos Dez Mandamentos, a palavra "guardar" significa: lembrar; preste atenção. O termo hebraico significa “descansar" ou "parar", para "santificar".
A ideia é que tenhamos um dia diferente dos demais, especial, separado dos outros dias. Esse dia deve ser dedicado ao descanso e ao culto. Em Deuteronômio 5.12-15 lemos: - "Guarde o sábado, que é um dia santo, como eu, o SENHOR Deus, mandei. Faça todo o seu
trabalho durante seis dias da semana; mas o sétimo dia da semana é o dia de descanso, dedicado a mim, o seu Deus. Não faça nenhum trabalho nesse dia, nem você, nem os seus filhos, nem as suas filhas, nem os seus escravos, nem as suas escravas, nem os seus animais, nem os estrangeiros que vivem na terra de você. Assim como você descansa, os
seus escravos também devem descansar. Lembre que você foi escravo no Egito e que eu, o SENHOR, seu Deus, o tirei de lá com a minha força e com o meu poder. É por isso que eu mando que você guarde o sábado". Esse texto enfatiza que o culto é uma forma de vivenciar novamente os atos salvíficos de Deus.

A palavra "santo", significa "separado". Deus, não criado e único, é a única fonte de santidade. Ele consagra épocas (festivais), lugares (tabernáculo/templo), pessoas (sacerdotes/levitas/Israel) e as coisas e rituais que pertencem a eles. Ou seja, essas coisas pertencem a Deus porque ele as escolhe, não por causa de suas próprias qualidades.

Neemias 13.17-19 lemos: "Então eu repreendi as autoridades dos judeus e lhes disse: - Vejam só que coisa errada vocês estão fazendo! Vocês estão profanando o dia do sábado! Foi por isso mesmo que Deus castigou os seus antepassados, deixando que esta cidade fosse destruída. E agora vocês insistem em profanar o sábado, fazendo com que assim Deus fique ainda mais irado com Israel. Portanto, ordenei que os portões da cidade fossem fechados antes que começasse cada sábado, logo que fosse ficando escuro, e que não fossem abertos de novo até que o sábado terminasse. E coloquei alguns dos meus homens nos portões para que nenhuma carga fosse levada para dentro da cidade no sábado". Este texto nos mostra que o sábado começava no entardecer da sexta-feira. Que Neemias teve que combater e corrigir a profanação do sábado. O povo estava engajado em atividades proibidas. A proibição ao trabalho no sábado era total.


As pessoas deveriam seguir o exemplo de Deus e descansar. As pessoas trabalhavam seis dias por semana, doze ou mais horas por dia. Elas precisavam de um dia de descanso, especialmente para a alma, "Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso" (Mt 11.28). Por isso, o Senhor Deus
abençoou o dia de sábado, o declarou especial e o separou para si.
 

Em Gênesis 2.3, lemos: "Então abençoou o sétimo dia e o separou como um dia sagrado, pois nesse dia ele acabou de fazer todas as coisas e descansou”. Deus separou o sábado para comemorar o término do seu trabalho criador. Aqui, Deus antecipa o seu mandamento
de santificar o dia do descanso, por suas próprias ações, e depois quando o povo está a caminho do monte Sinai. 

 

O nosso desejo de santificar o dia do descanso vem do próprio Deus. Deus 

não quer que tenhamos um "sentimen-
to vazio” de adorá-lo. Pelo contrário,
Deus deixa muito claro na sua Palavra
a sua vontade: "Guarde o sábado, que é
um dia santo".
 

Guardar o sábado está ligado ao culto. No culto, Deus tem uma surpresa para nós. Mesmo sendo um mandamento, a ordem de Deus é fruto do seu evangelho, que foi proclamado antes de dar os Mandamentos, Êx 20.2: "Meu povo, eu, o SENHOR, sou o seu Deus. Eu o tirei do Egito, a terra onde você era escravo".
 

Martinho Lutero explica: “Toda hora em que se trata, prega, ouve, lê ou medita a Palavra de Deus, dá-se através disso a santificação da pessoa, do dia e da obra, não vem em virtude da ação externa, mas por causa da palavra, que a todos nos torna santos" (Catecismo Maior 1,92). “Não façam nada que profane o meu santo nome. Que todo o povo de Israel confesse que eu sou santo! Eu sou o SENHOR, e dediquei vocês a mim" (Lv 22.32).
 

O culto verdadeiro é o que Deus faz por nós. Matinho Lutero escreveu: "Pois o verdadeiro significado do Terceiro Mandamento é que nós, naquele dia, devemos ensinar e ouvir a Palavra de Deus, com isso santificando tanto o dia como a nós mesmos” (Obras de Lutero, Edição Americana, v.47, p.92). Novamente, o "santificar" que Deus fala em sua Palavra não é resultado do que nós fazemos no sábado. É bem o contrário. Santificar o sábado é o que Deus faz em nós através da sua Palavra viva e vivificadora proclamada e ensinada.
 

Ou seja, o ponto alto do Mandamento é que vamos santificar o dia do descanso pela Palavra e não apenas celebrá-lo. Mais santificação pela Palavra e menos celebração. O culto é muito mais o que Deus faz por nós do que aquilo que nós, em resposta ao seu amor, fazemos a Deus. O culto é como todas as outras coisas nas quais Deus se envolve conosco: "Pois Deus está sempre agindo em vocês para que obedeçam à vontade dele, tanto no pensamento como nas ações" (Fp 2.13).


    DEUS CRIA O CULTO
"Naquela região havia pastores que estavam passando a noite nos campos, tomando conta
dos rebanhos de ovelhas. Então um anjo do Senhor apareceu, e a luz gloriosa do Senhor brilhou por cima dos pastores. Eles ficaram com muito medo, mas o anjo disse: - Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo! Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês - Messias, o Senhor! Esta será a prova: vocês encontrarão uma criancinha enrolada em panos e deitada numa manjedoura. No mesmo instante apareceu junto com o anjo uma multidão de outros anjos, como se fosse um exército celestial. Eles cantavam hinos de louvor a Deus, dizendo: - Glória a Deus nas maiores alturas do céu! E paz na terra para as
pessoas a quem ele quer bem!" (Lc 2.8-14).
 

É por meio do poder desse evangelho divino, de que o Salvador, recém-nascido, havia chegado ao mundo, que Deus cria o culto.

DEUS CRIA A NOSSA
RESPOSTA

Ao ouvir o evangelho de Deus, os pastores correram para ver o Salvador. Por meio do evangelho, Deus fez com que os pastores o adorassem: "Então os pastores voltaram para os campos, cantando hinos de louvor a Deus pelo que tinham ouvido e visto. E tudo tinha acontecido como o anjo havia falado (Lc 2.20). A adoração inspirada por Deus por meio da sua Palavra é a única adoração
verdadeira, e é o culto que mais agrada a Deus. O
culto agradável a Deus só tem a ver com o evanelho - e nada mais.

ORAÇÃO
Querido Senhor, ajuda-nos a compreender que o culto é fruto da tua Palavra do evangelho atuando em nós. Dá-nos fé para compreender que o
sábado é santificado e mantido santo não por
nossas ações, mas por tua Palavra viva. Bendito Senhor, santifica o teu Dia Santo, e santifica
a nós através da tua Palavra. Em nome de Jesus.
Amém.

Pastor Iderval Strelhow.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

"Eu não gosto dele!" "Eu não gosto dela!"


 

O cristão pode dizer isso na sua vida dentro ou fora da igreja?

 

Não raras vezes escutamos na igreja que um membro deixou de frequentar os cultos por
não gostar do pastor. Algumas vezes ouvimos que pastores pediram demissão de suas congregações por problemas de "alinhamento" com a diretoria.


Quantas vezes os pastores tiveram que intervir em questões familiares de seu rebanho por motivos de desavenças entre irmãos, ou entre casais, ou entre pais e filhos.


Nem vou me aprofundar nos conflitos no ambiente de trabalho, com vizinhos, ou na escola, em que sempre se ouve aquela expressão de "não gostar de alguém".


Andamos muito mal até hoje neste aspecto. Dentro e fora da igreja.


Se você pensava que tudo se resumia a uma questão de "incompatibilidade de gênios" lamento, acho que você e eu estávamos equivocados. Não se trata nem um pouco de não gostar de alguém, não simpatizar, muito menos de "gênios". Tem a ver com "desconhecimento".


Perdemos muito tempo em nossas vidas com coisas fúteis e inúteis, e não estudamos o chamado "ser humano". E o resultado só pode ser um: não nos conhecemos.


Não poderia ser de outra maneira se observarmos que o cristão lê a Bíblia, mas não estuda a Bíblia. Resultado: não conhece seu Deus. O cristão precisa estudar a Biblia, ler literaturas cristās, e sob este aspecto somos muito abençoados por termos uma editora com farto
alimento.


Precisamos, sim, estudar o ser humano. E para tal, indico a obra maravilhosa do pastor e professor Enio Starosky: Temperamentos & Religião, da editora Kapenke. Disponível também na Editora Concórdia (www.editoraconcordia.com.br).

É um livro simplesmente fantástico! Que mudou minha percepção, seja como cidadão, no convívio em sociedade, seja como advogado, trabalhando com pessoas, seja na igreja, exercendo liderança.


Tomo ousadia de dizer que é uma leitura obrigatória para o exercício de liderança na igreja. Pena não ter tido acesso a tal conhecimento alguns anos atrás. A obra, em que pese ser uma tese de doutorado, não é de leitura difícil. É o tipo de livro que diz óbvio em linguagem cientifica. Exemplo: nos diz que o problema nos relacionamentos não é devido a gosto ou simpatia, mas de falta de compreensão da diversidade da natureza humana. No livro, este entendimento fica assim descrito: " Estamos convencidos de que grande parte do sofrimento
psíquico, físico e do estresse de nosso mundo resulta de desentendimentos entre pessoas bem-intencionadas e não de divergências irreparáveis. Sendo assim, poderemos melhorar muito a qualidade de nossa vida cotidiana se compreendermos como somos e o modo próprio como reunimos e processamos nossas informações; se compreendermos como
chegamos a esta ou aquela conclusão ou decisão e como comunicamos os nossos
pensamentos, sentimentos e desejos."


O problema é que não nos entendemos porque só vemos as nossas diferenças. E somos muito diferentes, é na forma de falar, de pensar, de entender, na cor de pele, no gosto por alimentos. Os seres humanos são de uma diversidade muito grande. E é só isso que enxergamos: a diversidade. E a enxergamos como algo ruim.


Acontece que essa diversidade não é escolha nossa, nem fruto da sociedade, é obra do Criador, e não conseguimos ver isso porque não entendemos com extensão e profundidade o que está escrito em Gênesis 1.26 "Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança".


O QUE SIGNIFICA SER À
IMAGEM E SEMELHANÇA DE
DEUS?


A resposta é simples. Deus não é único? Então, se Deus é único e nos fez à sua imagem e semelhança, isso quer dizer que somos, todos, únicos. O planeta não poderia ter bilhões de "Fabios'. Seria um mundo insuportável e teria entrado em colapso muito antes do dilúvio.


Se cada um de nós é um ser único, isso quer dizer que todos nós somos diferentes uns dos outros. Então, por que você quer que seu próximo seja igual a você? Que pense como você? Que goste do que você gosta? Que tenha as mesmas opiniões que você?


Você está querendo ser Deus e fazer o próximo à sua imagem e semelhança?


Pare já com isso! Pare de querer que as coisas sejam "do seu jeito', e ao invés de fazer cara de nojo diante da diversidade, louve-a, porque tudo que Deus fez é bom. E essa diversidade foi pensada, planejada, amorosamente desenhada só para você. Então, como diz o prof.
Enio em seu livro: celebre a diversidade.


O Criador nos fez únicos. Então comece a entender e a compreender o próximo. E nesse sentido, Temperamentos & Religião nos mostra e ensina que as pessoas possuem temperamentos diferentes, mais precisamente quatro temperamentos básicos, que, combinados, nos dão 16 tipos de temperamentos, tornando os seres humanos uma obra
magnífica, complexa e única.


Ao compreendermos como cada temperamento se comporta, se comunica e atua, passaremos a entender que Fulano e Sicrano não são "chatos, mas foram, de forma única, moldados pelo Criador para que se completem e, juntos, obtenham grandes resultados, seja
na igreja ou fora dela.


E quando o autor nos apresenta os quatro evangelhos caracteristicos, com
quatro temperamentos diferentes, fica tudo ainda mais claro nos relacionamentos dentro da igreja, e poderemos chegar a uma triste conclusão, de que erramos muito no passado, e só não teve consequências piores porque a igreja não é nossa, mas de Cristo, e, de uma forma ou de outra, ele acaba sempre nos conduzindo.


- Ah, se não fosse a cruz, que seria de nós?


Por fim, encerro estimulando você a procurar entender o próximo, nas palavras do prof. Enio, "humanizando as relações e compreendendo as pessoas, porque o compreender é também um ato de admirar, de perceber e acolher outras formas de conceber, de ver e de pensar o
mundo do outro; de abrir-se na autêntica postura para o diálogo com o outro; e, sobretudo, de repudiar o espirito de demonizar o diferente e de apegar-se àquele desejo de sempre querer tornar o outro uma cópia perfeita de mim mesmo".
 

E se você não conseguir uma fonte para estudar mais sobre isso, apegue-se ao ensinamento maior de Jesus: amar e perdoar. Aceite, suporte, perdoe.


Fabio Leandro Rods Ferreira

domingo, 28 de novembro de 2021

Verdade ou consequência?

 Existe uma brincadeira de adolescentes chamada “verdade ou consequência?”. Nessa brincadeira, a pessoa da vez escolhe se prefere revelar um segredo seu ou “pagar uma prenda”, uma espécie de castigo. A brincadeira é para se divertir ao constranger os amigos. Nesse caso, tanto a “verdade” quanto a “consequência” deixam a pessoa envergonhada.

 

As escolhas mais importantes que temos de fazer neste mundo por vezes parecem nos colocar entre a verdade e as consequências. A Bíblia diz: “Pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos” (2Tm 4.3). Vemos aqui que, por não suportarem a verdade, alguns preferem ignorá-la e lidar com as consequências negativas. Mas ao contrário de uma brincadeira de amigos, o resultado aqui é fatal.

 

A verdade nesse caso é o que Deus fala sobre nós e o que ele nos oferece. Ele diz que todas as pessoas são pecadoras e imperfeitas e que jamais alcançarão a vida que desejam sem a ajuda dele. Deus diz que ele perdoa o pecado daqueles que creem em Jesus e reconhecem que precisam dele. A esses, ele oferece a vida perfeita que todos querem, que começa aqui e dura pela eternidade.

 

Infelizmente, muitos ignoram a verdade, pois ela fala das nossas falhas e, por isso, pode ser difícil ouvi-la. Quando as pessoas preferem seguir os seus desejos, as suas ideias, e se fechar para o verdadeiro ensinamento de Deus, elas se afastam da verdade e acabam sofrendo com as consequências. Felizmente, a verdade é que Deus é amoroso e está sempre pronto para perdoar e receber a todos. Por isso, no jogo da vida, prefira sempre a verdade, e assim você não precisará se preocupar com as consequências.

 

Oremos: Senhor Deus, obrigado por revelares a verdade a nós. Dá-nos forças para buscá-la em todas as situações e para apontar o caminho certo aos outros. Amém!

 

Pastor Alexandre Vieira    

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Fazer o melhor possível


 

           Em janeiro de 2020, num dia bonito de verão, recebemos a notícia do trágico acidente de nosso filho Leandro, nossa nora Milena e seus pais. Momentos de aflição, angústia, desespero e, sobretudo, tristeza. A primeira coisa que eu e minha amada esposa fizemos, depois de avisar nossa filha e genro, foi orar a Deus.


          No dia seguinte, estávamos fazendo a despedida ao Leandro e seu sogro Lauri nesta vida. Recebendo o abraço de familiares, amigos, pastores que nos acompanharam em momentos de vida e muitos irmãos na fé. Ainda não havia a pandemia, e o momento foi de muita tristeza, mas muito caloroso para nós. Mas a vida começou bem antes... Para nós, em locais diferentes do Rio Grande do Sul.


          Eu nasci, fui batizado e confirmado em Porto Alegre. Minha esposa, Mirna, nasceu, foi batizada e confirmada em Toropi. Nos conhecemos em Santa Maria, na igreja, especialmente na época da juventude.


          Nada é por acaso, já começávamos a falar. Casamos, e nosso primeiro lar foi na cidade de Cruz Alta.


          O tempo passa, dia após dia...


          E cada dia tentando fazer o melhor possível! Mesmo sem pensar nisso, na correria da vida: afazeres, objetivos, responsabilidades, medos, angústias e alegrias. Tenho certeza de que sempre tentamos, e com a ajuda e direção de Deus, muito conseguimos e fomos abençoados: na família, no trabalho, na igreja e no serviço ao próximo.


          Os anos foram se passando, e recebemos de Deus os maiores presentes, lá no Alegrete: nossos dois filhos - o Leandro e a Michelle. Depois, com a vida deles se estabelecendo, mais dois presentes valiosos: a Milena (esposa do Leandro) e o Matheus (marido da Michelle). Joias raras, que não surgiram por acaso na nossa vida.


          Tivemos passagem por Uruguaiana e, atualmente, residimos em Porto Alegre. Quantos desafios pessoais, profissionais e da igreja foram enfrentados. Alguns com a vitória, outros com correção de rumo, outros perdidos ou abandonados... Mas nada por acaso. Muito conseguimos e fomos abençoados!


          E sempre em nossas vidas, conscientes ou não, com nossos dons e capacidades, mas sobretudo a ajuda de Deus, tentando fazer o melhor possível! E o que é o melhor possível? Olhando para trás posso dizer que nosso casamento, a bênção dos filhos, nora e genro; diplomar o Leandro em minha formação, e a Mirna, a Michelle na sua; congregações de que participamos se tornando independentes, construção de casa pastoral, desenvolvimento de trabalhos sociais; crescimento profissional; mas também as dificuldades e a tristeza e fazer só o essencial... em alguns momentos... só orar! Nosso melhor possível em alguns momentos, desta vida pode ser uma grande conquista, em outros, simplesmente acordar, levantar e se alimentar.


          Nos últimos tempos temos convivido com a tristeza de forma intensa, e a morte apareceu de forma muito cruel em nossa vida. E veio a pandemia da Covid-19 - o isolamento, os cuidados, a angústia... e tudo mais que todos estamos passando no mundo de hoje. No nosso contexto, além de tudo, neste período, veio o câncer da Milena, a luta pela vida, com todos os medos, angústias e porque não... desespero.


          Deus nos ensina em sua Palavra, através do sábio Salomão, como é a vida neste mundo:


          "O sol continua a nascer, e a se pôr, e volta ao seu lugar para começar tudo outra vez. O vento sopra para o sul, depois para o norte, dá voltas e mais voltas e acaba no mesmo lugar. Todos os rios correm para o mar, porém o mar não fica cheio. A água volta para onde nascem os rios, e tudo começa outra vez" (Ec 1.5-7 - NTLH).


          Jesus nos fala em Matheus 28.20: "E lembrem disto: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos".


          Onde buscar auxílio na caminhada desta vida?


          Buscar sempre em Deus! Em todos os momentos: de agradecer, de pedir e, sobretudo, de entregar a carga!


          E agora, numa renovação, Deus nos deu mais um presente, o Theo. Seu batismo sela que somos sua propriedade e estaremos todos juntos na vida que não termina.


          A cada dia que Deus nos concede, hoje estamos reafirmando, e mais conscientes, o que temos que fazer. Independentemente da situação em que nossa vida esteja, independentemente do local em que estejamos: na família, no trabalho, na igreja ou com nosso próximo, devemos, com o auxílio de Deus: FAZER O MELHOR POSSÍVEL!


Gerson Hillig

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Boa influência

 “Não se misture com essa gentalha”, dizia constantemente a mãe para o seu filho, personagens de um programa de televisão. Ela falava assim porque considerava que a companhia de algumas pessoas da vila onde moravam, poderia trazer malefícios para seu “tesouro”, seu filho. Muitos pais se preocupam com as amizades dos filhos, por isso alertam quanto ao perigo. Contudo, eles nem sempre são ouvidos e os filhos voltam a conviver com aqueles que não são uma boa influência.

 

O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo, a quem ele considerava como seu filho na fé. O alerta de Paulo se parece muito com o alerta dos pais quando veem um filho em perigo. Paulo falou sobre os tempos difíceis que os cristãos enfrentariam, tempos em que haveria pessoas egoístas. E mais: “Parecerão ser seguidores da nossa religião, mas com as suas ações negarão o verdadeiro poder dela. Fique longe dessa gente!” (2Tm 3.5), ele afirmou.

 

A preocupação do apóstolo tem razão de ser, pois, quando pessoas estão entre os cristãos mas têm uma fé fingida, de aparência, isso pode fazer com que muitas pessoas se distanciem de Jesus. Por outro lado, há muitas pessoas que estão distantes da igreja, pecadoras, e que, como cada um de nós, precisam do perdão de Jesus. Algumas delas podem estar desesperadas por causa do pecado e precisam de nós para que a mensagem de restauração chegue até elas, a mensagem que fala do perdão e do amor de Deus oferecido a elas.

 

Por isso, sejamos nós a boa influência, não porque somos perfeitos e não cometemos pecados, o que seria uma mentira, mas porque conhecemos o caminho, Jesus, onde há perdão e graça concedidos gratuitamente.

 

Oremos: Senhor, perdoa-me por ter sido muitas vezes uma má influência, levando pessoas a se distanciarem de ti. Ajuda-me a ser uma boa influência, para que elas conheçam o teu perdão e amor. Amém.

 

Pastor Juan Iurk Nogueira