domingo, 1 de dezembro de 2019

Esperando a visita

Como é bom receber uma visita de pessoas que nós amamos, de pessoas que são importantes para nós. Normalmente ficamos ansiosos e esperando pelo momento da chegada.

Para receber essa nossa visita importante, procuramos dar o melhor de nós, nos preparando para receber bem. Vamos ao supermercado, pensamos no cardápio, limpamos a casa, deixamos tudo arrumado.

Sabe que essa espera por uma visita tem tudo a ver com esse período do ano que estamos, perto do natal. Dentro do calendário da igreja cristã estamos vivendo o período do Advento.

O Advento é um tempo de espera e preparação para a visita de Deus ao mundo, se tornando um ser humano, por meio do menino Jesus. Porém, é bem verdade que, ao mesmo tempo, é um periodo de muita correria, com tantas coisas acontecendo em paralelo. E o maior risco é justamente Jesus ficar de fora do nosso natal.

Estamos nos preparando para a visita de alguém muito importante, aliás, aquele de mais importante que temos em nossa vida. Ele foi prometido ao povo de Deus no Antigo Testamento e aguardado por muitos. E ele veio, no primeiro natal, com uma missão muito especial, e agora continua vindo em nossos corações, e virá no seu segundo advento para nos levar dessa vida para um lugar incomparavelmente melhor. Por isso preparamos não as nossas casas, mas os nossos corações, para que ele crie em nós um novo coração.

Há muitas formas de vivermos esse período, e uma delas, é um desafio que quero propor a você. Somos a congregação São Lucas, e o Evangelho de Lucas tem 24 capítulos. O desafio é justamente esse: Que do dia 01 até 24 de dezembro você leia 1 capítulo por
dia de Lucas, e assim, até a véspera do natal, terá lido um relato completo da vida de Jesus e na manhã de natal, no dia 25, saberá quem é e porque aquele menino do natal é tão especial.

Acompanhe em nossas redes de comunicação o desenvolvimento desse projeto e um feliz e abençoado natal para você!

Pastor Felipe Euzebio

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

A Benção do Senhor

Ao longo desse ano pudemos caminhar por vários elementos
importantes do culto luterano, que você pode rever nas edições anteriores. Agora chegamos ao final do nosso culto, o qual
termina com a bênção do Senhor.

O texto da bênção está em Números 6. 24-26: "O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti. O Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz". Essas são as palavras que normalmente são usadas em nossos cultos, chamada de bênção Araônica.

Mas é interessante o versículo seguinte, o 27: "Assim porão o meu nome sobre os filhos de Israel e eu os abençoarei". Lembram como começa o culto? Com o nome de Deus: "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". E agora terminamos o culto com nome sendo colocado de uma outra forma: O Senhor... O Senhor... O Senhor... Mais uma vez o Deus Triuno. O culto começa e termina lembrando quem nós somos: Filhos e filhas de Deus, batizados, em Jesus.

Outra forma que é comum ser usada na bênção é a bênção apostólica: "A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Deus, a comunhão com Espírito Santo, sejam com todos vós". Da mesma forma finalizando o culto de forma trinitária.

E, assim, nós nos despedimos da casa de Deus, abençoados por ele para mais uma semana que se inicia. Nossa semana como cristãos começa com a bênção do Senhor. Fomos no culto, consolados e orientados pela palavra de Deus, fortalecidos pelos sacramentos, e agora retornamos a nossas atividades diárias. E ali no dia-a-dia vivemos a nossa fé e testemunhamos do amor desse Deus.

Sendo assim, o culto é o evento mais importante da nossa semana, o local em que o povo de Deus se reúne, convidados pelo próprio Deus. Local dos que oram, cantam, ouvem, um local para amar e ser amado. Participe sempre conosco desse momento tão especial.

Aqui na congregação São Lucas, todos são bem-vindos, aos domingos às 9h e no terceiro sábado do mês às 19h. Para nós é uma alegria receber cada pessoa que aqui vem adorar o nosso Deus, junto com a gente.

Pastor Felipe Euzebio

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

O que fazemos com nossos pastores?

O lema do próximo Congresso Nacional da Liga de Leigos Luteranos do Brasil (LLLB) é: "Leigos e pastores juntos servindo ao Senhor". É magnifico! É formidável! Que bom que a
igreja se põe a pensar sobre este tema.

Como estive à frente do processo de Chamado Pastoral de minha Congregação, que por sinal, não foi fácil, mas me permitiu ter uma experiência muito importante e gratificante dentro da lgreja, sei muitobem da importância dessa parceria.

O fato de ter tido um contato mais próximo com os pastores indicados, ouvindo-os e lendo as respostas dos questionários, levou-me a uma indagação: O que estamos fazendo com nossos pastores?

A pergunta parece estranha, eu sei, mas reflita: Você sabia, por exemplo, que os pastores sofrem de solidão? Como assim? Se eles estão casados, têm filhos, têm a congregação!? Não é deste tipo de solidão que falo, aquela do eremita. A solidão que falo é a do Ministério Pastoral, do trabalho como pastor de uma congregação.

Ao conversar com os pastores durante o processo de Chamado percebi claramente que a dificuldade dos pastores é basicamente a mesma: a falta de interesse de grande parte de suas ovelhas, dos membros, pela igreja.

Mesmo na congregação e dentro dela, a maioria dos pastores está invariavelmente sozinha. Não há com quem falar, com quem expor abertamente seus receios e seus planos. Por exemplo: quando o pastor tem uma ideia para alguma tarefa, todos dizem: "Que legal, pastor!" Todos dizem: "Vamos fazer, pastor!" Mas quando o pastor olha para trás, ele está sozinho.

Precisamos mudar esse cenário, e esse despertar da LLLB é fundamental. Nossos
pastores precisam de amigos dentro da congregação. Precisam que alguém se importe em saber se ele está atendendo bem a sua família, de como está sua saúde. Se está tendo tempo adequado para os estudos, para preparar o culto, se ele dorme bem, etc. Caso contrário, por mais que digamos "Este é o meu pastor", ele não passará de um estranho que vemos apenas aos domingos quando vamos ao culto.

Precisamos nos lembrar que cada membro é um sacerdote perante Deus, pois exerce o Ministério Sacerdotal. Isso significa mais do que cada cristão ter acesso direto a Deus. Significa dizer que cada cristão deve oferecer a si mesmo, suas posses, seu tempo e seus talentos ao Senhor, na obra de amor aos seus irmãos. Todos eles, e inclusive ao pastor.

Portanto, cuidar do templo, trocar paramentos, comprar hóstias, comprar vinho, preencher livros, preencher cadastrados, incentivar membros a comprarem livros cristãos, a estudarem literatura cristā, a participarem de Congressos, a assinarem o Mensageiro Luterano, a levarem os filhos às escolas biblicas, realizarem estudo bíblico do PEM, fazerem escalas de recepcionistas, de auxiliares,
organizarem eventos missionários, tudo isso é tarefa dos membros da congregação.

É tarefa de leigos e de servas, porque eles têm mais e maiores oportunidades do que os pastores para desempenhar a obra do Senhor no mundo e dar testemunho da verdade'. Porém a verdade é que muitas vezes nos omitimos nestas tarefas e jogamos toda a carga do trabalho para o pastor, esquecendo que o pastor é quem auxilia os membros a fazerem o trabalho que é deles, e não o contrário, uma vez que, aos pastores, que exercem o Ministério Pastoral, cabe a tarefa de preparar leigos e servas para o exercício de seu Ministério Sacerdotal (1Pe 2.5-9). Se não fizermos assim, estaremos provocando em nossos pastores um sentimento ruim de incompetência e de culpa, deixando-os sozinhos.

Outro ingrediente que pesa no Ministério Pastoral é o fato de alguns pastores estarem em uma congregação distante, dificultando-lhes o contato com outros colegas pastores ou com o conselheiro distrital.

Você consegue visualizar este cenário solitário?

Pois bem, esta solidāo representada pela falta de amizade e pelo excesso de tarefas gera uma consequência grave para o ser humano que esta na função de pastor de uma congregação. A dificuldade financeira da congregação; a ausência de participação dos membros nas tarefas da igreja; a falta de contato com colegas pastores; a falta de reconhecimento pelo trabalho realizado, são fatores de uma equação matemática em que o resultado pode ser a depressão ou outras doenças. 

Doenças psicológicas e neurológicas podem estar sendo muito frequentes nos pastores sem sabermos, pois não existe nenhum acompanhamento sobre esta situação.

Os números oficiais da IELB refletem um cenário preocupante.

Entre 2005 e 2009, ingressaram na IELB 122 novos pastores. No mesmo período, 43 pediram licenciamento e 31 saíram do Ministério. Considerando apenas os que saíram, a diferença entre os que entraram e saíram foi de 25%.

Nos quatro anos seguintes, entre 2010 e 2014, ingressaram na IELB 80 novos pastores. No mesmo periodo, 35 pediram licenciamento e 60 saíram do Ministério. Nesse período, a diferença entre os que entraram sairam subiu para 75%.

Por fim, nos últimos trës anos, entre 2015 e 2017, ingressaram na IELB 52 novos pastores, e, no mesmo período, 20 pediram licenciamento e 45 saíram do Ministério. Nesse período a diferença entre os que entraram e saíram foi ainda maior, chegando a 86%.

Infelizmente, a IELB não possui registro de quantos pastores saem ou pedem licença por questões de saúde.

Nesse ponto, a IELB também deveria ter um melhor acompanhamento, não se limitando a interferir no Ministério Pastoral apenas em casos de violação da ética. É necessário ter um acompanhamento e registro centralizado da saúde dos pastores, principalmente da saúde mental, encaminhando-os a tratamento conveniado quando necessário ou quando a Congregação não tiver condições de fazer isso.

O que estamos fazendo com nossos pastores?

Na 62º Convenção Nacional foi dado um enfoque especial para a atenção à família. Foi
dito que os membros não podem dedicar-se unicamente e exaustivamente à igreja. A
família é mais importante, está em primeiro lugar. Sob esse prisma, foi questionado se as
congregações estão observando seus pastores, dando-lhes tempo para que possam dar atenção e cuidados aos seus filhos, à sua esposa.

E o que podemos fazer?

A partir do Evangelho anunciado e vivido pelo nosso bom pastor Jesus, somos motivados
a ir ao encontro do nosso próximo. E o nosso pastor é um dos nossos próximos que precisa
da nossa atenção, do nosso acolhimento, da nossa ajuda e apoio. Devemos realmente nos
importar com ele. 

Observar e avaliar o trabalho dele, parabenizando-o pelas coisas boas e apontando com amor aquilo que não ficou bom. O reconhecimento, a valorização e mesmo a crítica construtiva, são extremamente necessárias para o ser humano, também para o pastor.
 
Verifique com o pastor se ele estå atendendo as necessidades da família durante a
semana, como: levar o filho ao médico, participar de reunião de pais na escola, consertar as tomadas dentro de casa; ele está tendo tempo para fazer estas coisas? Como está o INSS de seu pastor? Como ele vai sustentar a família caso fique hospitalizado?

Divida com seu pastor as tarefas do templo. Assuma a sua parte no trabalho da igreja. Assuma já o seu sacerdócio! Retire do pastor as tarefas meramente administrativas. Não tenha medo de dirigir um Estudo Bíblico, os leigos e pastores devem servir ao Senhor de forma conjunta. Dê ideias para o Programa de Natal, para o Jantar de Advento, para as festividades de Páscoa; você não tem ideia de como o pastor gosta e quer isso.

Por fim, seja amigo do seu pastor. Converse com ele, mostre interesse por ele, por sua família, por seu trabalho. E lembre-se: mais do que ser o seu pastor, ele é seu irmão na caminhada da fé, e a nova vida que Deus lhe deu em Cristo, a partir do Batismo, nāo pode e não deve ser vivida isoladamente, egoisticamente, mas ser "consumida" servindo em alegria a Deus e ao próximo, segundo o chamado e os dons que cada um de nós recebeu.

Fabio Leandro Rods Ferreira

terça-feira, 1 de outubro de 2019

A Celebração da Santa Ceia

O objetivo aqui não é entrar nos detalhes da teologia da santa ceia, só será possível mencionar alguns dos aspectos dela.

A santa ceia é uma refeição festiva, de ação de graças; é o banquete que Cristo nos oferece enquanto aguardamos sua vinda em glória; é comunhão com Cristo e com os membros de seu corpo; é um meio todo especial que Cristo tem de aplicar a nós a justiça que ele conseguiu na morte e ressurreição.

A Ceia do Senhor foi instituída pelo Filho de Deus, portanto, a sua instituição é divina e permanente.

Nós, luteranos, cremos que a pessoa de Cristo está presente na Ceia do Senhor. Sob o Pão e o Vinho recebemos nada menos que o Corpo e o Sangue, dado e derramado por nós, pecadores. A isso chamamos de União Sacramental. A celebração da ceia acontece em três partes:

a) Prefácio: é talvez a parte litúrgica mais antiga de nosso culto. Expressa reverência, adoração, alegria e ação de graças. As palavras "Levantai os vossos corações", que soam um pouco estranhas, são um convite a dirigirmos nossos pensamentos a Cristo, cujo corpo
e sangue iremos receber. O "levantemo-los ao Senhor" é o "sim" da congregação. O "demos graças ao Senhor" faz lembrar a ação de Jesus na noite em que foi traído
(Mt 26.27). Outra forma de dizer isto são as palavras "com os anjos e arcanjos com toda a companhia celeste louvamos e magnificamos o teu glorioso nome, exaltando-te sempre...". Estas palavras deixam claro que, na ceia, nos unimos ao culto eterno dos anjos e da igreja
triunfante no céu.

b) Consagração e Administração: as palavras da instituição são ligadas aos elementos externos do sacramento, ou seja, ao pão e ao vinho. Constituem uma permanente memória da noite em que Cristo foi traído.

c) Pós-Comunhão, "Nunc Dimittis": são as palavras latinas que iniciam o cântico de Simeão (Lc 2.29-32). "Nunc dimittis" quer dizer "agora despedes". Não há palavras mais apropriadas para aqueles que, a exemplo de Simeão, viram a salvação do Senhor. "Ação de Graças: erguer a voz em mais um agradecimento. É a única resposta possível, é tudo que se pode fazer depois de ter recebido tão grande dom da salvação.

Sendo assim o momento de celebrar a Ceia do Senhor dentro do culto sempre é muito especial e único em nossa vida. Que possamos sempre ser acolhido no convite de Jesus: "Vinde a mim todos que estão cansados de carregar pesadas cargas e eu lhes darei descanso". Que assim seja, amém.

Pastor Felipe Euzebio